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Fazer, refazer, perfazer, satisfazer...

Por: Pasquale Cipro Neto
21/11/2012
O caro leitor talvez já tenha ouvido alguém dizer “satisfazerá”, “desfazerá” ou algo do gênero. Certa vez, uma importante figura do Poder Executivo disse que “o país jamais se desfazerá da Petrobras”.

A forma “desfazerá” não tem registro formal, mas sua ocorrência pode ser explicada e entendida. Antes dessa explicação, é preciso deixar claro que a forma que ocorre na língua culta é “desfará” (“…o país jamais se desfará da Petrobras”). “Desfará” é da terceira pessoa do singular do futuro do presente do indicativo do verbo “desfazer”, um dos tantos verbos que derivam de “fazer”.

A explicação para a ocorrência de “desfazerá” (que, é bom deixar claro, não ocorre no padrão formal da língua) começa no fato de que o futuro do presente do indicativo de 99,99% dos verbos parte do infinitivo, ao qual se acrescentam as terminações “-ei, -ás, -á, -emos, -eis, -ão”.

Para fazer o futuro do presente do indicativo de 99,99% dos verbos, basta acrescentar ao infinitivo as terminações que acabamos de ver. Façamos o teste com “andar”: “eu andarei, tu andarás, ele andará, nós andaremos, vós andareis, eles andarão”. Agora, com “prometer”: “eu prometerei, tu prometerás, ele prometerá, nós prometeremos, vós prometereis, eles prometerão”. Por fim, com “decidir”: “eu decidirei, tu decidirás, ele decidirá, nós decidiremos, vós decidireis, eles decidirão”.

O leitor certamente percebeu que empreguei a expressão matemática “99,99%” em parágrafos anteriores. Por quê? Porque com os verbos “fazer” (e derivados), “dizer” (e derivados) e “trazer” a coisa muda. Se seguíssemos o sistema, teríamos “fazerei, fazerás, fazerá…”; “satisfazerei, satisfazerás, satisfazerá…”; “desfazerei, desfazerás, desfazerá…”; “dizerei, dizerás, dizerá…”; “trazerei, trazerás, trazerá…”.

Pois bem. Se seguíssemos o sistema… Não seguimos. Com esses verbos a coisa é diferente. O futuro do presente de “dizer” e derivados (“desdizer”, “contradizer”, “predizer”, “bendizer” etc.), o de “fazer” e derivados (“desfazer”, “refazer”, “satisfazer”, “liquefazer” etc.) e o de “trazer” não seguem integralmente o processo de formação padrão, já que a sílaba “ze” some de todas as formas do futuro do presente (e do futuro do pretérito também), ou seja, em vez de “desfazerá”, por exemplo, temos “desfará” e em vez de “desfazeria” se emprega “desfaria” (“O país jamais se desfaria da Petrobras”).

Convém lembrar que seguem o mesmo caminho os verbos “estupefazer”, “putrefazer” e “perfazer”, que derivam de “fazer”: “Essa medida estupefará os puritanos”; “Expostas à luz do Sol, as frutas se putrefarão rapidamente”; “Essa conta certamente perfará mais de quinze mil reais”. Por falar em “perfazer”, é bom lembrar que o particípio desse verbo é “perfeito”. Se “perfazer” deriva de “fazer”, basta lembrar que o particípio de “fazer” é “feito” para concluir que o de “perfazer” é “perfeito”. Em “perfazer” temos o prefixo latino “per-”, que, entre outros sentidos, tem o de “completo”, “inteiro”. Ao pé da letra, “perfazer” é “fazer completamente”, “fazer até o fim”. O sentido usual de “perfeito” (“notável”, “impecável”) decorre do sentido literal da palavra. Consideramos perfeita (“impecável”, “notável”) uma obra de arte, por exemplo, quando julgamos que nela não falta fazer rigorosamente nada.

Voltando a “putrefazer”, convém lembrar que esse verbo é da mesma família de “pútrido”, que é palavra de origem latina e remete à ideia de podridão, apodrecimento (“putrefazer” significa “apodrecer”; “pútrido” é sinônimo de “podre”). O particípio de “putrefazer” é “putrefeito”: “A madeira foi putrefeita pela umidade” (frase construída na voz passiva; na voz ativa, teríamos “A umidade putrefez a madeira”).

Um forte abraço.
Pasquale Cipro Neto

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