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A Difícil Missão de Ser Aprovado em um Concurso Público no Brasil

Por: Leonardo Pereira
24/08/2015
A Difícil Missão de Ser Aprovado em um Concurso Público no Brasil 

Para tratar de um tema que deve afligir 99% dos candidatos inscritos nos concursos públicos no país, eu gostaria de usar o título “Por que o brasileiro não é aprovado em concursos públicos”. Mas sei que com isso eu “causaria” mais que ajudaria, em alusão à gíria paulista que quer dizer “estar causando confusão”.

 

Grosseiramente, poderia informar que a grande causa para a massiva reprovação dos candidatos, que resulta até no não preenchimento das vagas disponibilizadas pelo edital, em alguns casos, é o despreparo. Mas isso não curaria a ferida que acabei de abrir ao dizer que boa parte dos candidatos que presta concurso não conquista a aprovação.

 

Parte da razão está associada ao perfil da nossa sociedade. Somos naturalmente apaixonados e crentes, tendo ainda uma pitada de brasilidade que nos permite deixar tudo para a última hora. E com tais características, acabamos por menosprezar a magnitude de um edital diante do prazo que é disponibilizado para o preparo dos desavisados.

 

Já em minha defesa e resguardando a postura daqueles que estão na fila da aprovação, estudando há anos, percebo que o número de inscritos, na grande maioria dos concursos, poderia ser bem menor, caso houvesse uma crise de consciência nos crentes da aprovação milagrosa.

 

Peguemos o exemplo do concurso da Defensoria Pública do Estado de São Paulo: o edital foi publicado no dia 08 de agosto no Diário Oficial do Estado de São Paulo, prevendo provas de primeira fase no dia 27 de setembro. Perceba que são 49 dias entre publicação do edital e a primeira prova. Não há como pensar em preparação para um concurso de elevado grau de dificuldade em tal prazo.


Com 13 disciplinas e um programa de 15 páginas, que inclui conhecimentos do novo e do velho Código de Processo Civil, estamos falando de mais de 3500 pontos a serem estudados no nível de conhecimento que supera o razoável. Ou seja, com muita dificuldade um candidato teria condições de acertar uma questão desse concurso após ter o primeiro contato com a disciplina, sem nem mesmo conhecer a jurisprudência dos Tribunais Superiores e, eventualmente, do Tribunal de Justiça de São Paulo.

 

A exigência dos 3 anos de prática jurídica nos dá uma baliza para informar aos interessados que a preparação para um concurso desse porte leva mais de um ano, e não poucos dias como pensam alguns românticos. Só os conhecimentos da graduação, por melhor que ela tenha sido, não garantem a aprovação do candidato que ficou sem estudar no último triênio. A mera revisão dos pontos já demandaria mais tempo do que os quase 50 dias disponíveis.

 

É por isso que não somos aprovados (nós, os românticos, não os que estão na fila, estudando arduamente nas bibliotecas do país). Alçar um cargo tão desejado, como é o de Defensor, bem como os de Promotor ou Juiz, exercendo o Direito com maestria, a exemplo do que se vê na atuação do Juiz Sérgio Moro, demanda tempo e amadurecimento sobre os conteúdos, os modos como se falam. E para estar íntimo com esse material, não há outro remédio senão muita dedicação.

 

Leonardo Pereira é Diretor Acadêmico do IOB Concursos. Advogado graduado pela PUC de Minas Gerais. Possui pós-graduação em Direito Público e em Direito Privado, ambas pelo Instituto Metodista Isabela Hendrix. Mestre em Direito Empresarial pela Faculdade de Direito Milton Campos. Ex-Diretor de Ensino do Praetorium, Instituto de Pesquisa, Ensino e Atividade de Extensão em Direito.


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